quinta-feira, 26 de novembro de 2009

A Dúbia Natureza da Realidade

A percepção e subjectividade da realidade são coisas duras. Na eventualidade de alguém ler, sequer, a minha contribuição para a poluição do espaço virtual denominado "intarwebz", o que espero que aconteça, de outra forma seria extremamente "masturbatório", eu vou desde já antecipar algum tipo de comentário do género: "Subjectividade da realidade? Andas a sonhar demasiado alto, a realidade é bastante simples". Não é. Talvez num mundo sem paradoxos, como o teu, um mundo de preto e branco, de alto contraste, onde as coisas fazem sentido apenas de uma perspectiva ou outra. Pois acontece que no meu mundo, não vejo nem preto, nem branco, apenas tons de cinzento, apesar de que, muitas vezes, também eu luto para compreender o que vejo, e tentar libertar-me da óbvia linearidade. As vezes é bastante complicado, especialmente quando toca no nervo, ou na ferida, quando a realidade objectiva e profunda implica nadar num poço de implicações complicadas que de outra forma estaríamos perfeitamente confortáveis com a noção de não explorar. Certo, não eu. Os cristãos podem acreditar que existe um céu, os budistas a reencarnação, mas na minha opinião, tendo em base as provas concretas da realidade, eu acho que quando morrer vou simplesmente deitar-me na terra e não levantar alguma vez mais. A morte é um grande tema para mim, compreender, não temer, a inevitável transformação que irá ocorrer, invariavelmente, a todos nós. É profundo, e altera a percepção da vida de uma pessoa, e a mim altera a percepção da realidade completamente.

"Todos voltamos para a terra"

A partir do momento em que eu sei isto, como um facto, e que sei também, que muito provavelmente, não existe uma noção de vida após a morte coerente, dedico-me portanto não simplesmente a saborear o momento, mas a compreender o momento. Porque, para mim, conhecimento é apreciação, visto que quanto maior é a tua percepção nervosa do momento, maior a tua habilidade de sentires prazer, e dor. E que fique claro, que não existe doce sem o amargo. E eu não viveria o doce sem o amargo, jamais! Porque só o contraste, o paradoxo, é que motiva a vida, e isto sim, é um facto. O carácter de qualquer pessoa minimamente sensível, o que exclui a maior parte da minha raça, vive e constrói a sua vida em função do paradoxo, e só os sistemas que dependem da previsibilidade humana falham. No entanto, acredito que existe uma esmagadora tendência para a sociedade viver sem estes paradoxos, viver simplesmente numa linha de pensamento, mas isso é profundamente irrelevante.

Tudo isto para dizer o quê? Muito simplesmente que não se deve tomar nada como certo, nada como absolutamente correcto até se estar em posse de todos os factos, e mesmo ai, se deve de ter em atenção da natureza mutável da realidade. As coisas não são estáticas, desde a composição e raiz da nossa estrutura biológica, ao movimento planetário, a decisão tomada hoje em função da consequência, a mudança é o único facto real, e nós somos os seus escravos, e com gosto (falando por mim, claro, tendo em consideração que acredito que para muito boa gente, será uma noção perfeitamente tenebrosa). Eu que não encontro algum tipo de conforto numa figura patriarcal imaginária no céu ou nas profundezas da terra, encontro conforto na realidade, na estrutura da natureza, nas ondas e processos naturais de destruição e construção. Isto porque eu considero-me um filho da natureza, parte do processo contínuo da vida, etc.

Em função do meu "post" anterior, foi-me chamada a atenção por uma pessoa profundamente especial para mim uma visão alternativa da situação do aquecimento global, que tem em vista uma perspectiva bastante diferente, e que, se de facto for verdade, destrói por completo a razão e fundamento do meu argumento. Sinceramente não o sei, mas ao contrário da massa, eu aprecio e respeito a mudança, a eterna e constante natural transformação, e como tal o meu respeito por dita pessoa apenas cresce ao mostrar-me a possibilidade de estar completamente errado. Eu aprecio isso e o valor de tal exercício da razão é incalculável. Nem toda a gente é assim tão afortunada, mas não se preocupem, eu tenho a certeza de que a existência num casamento para toda a vida, complementado pelas idas a praia e ao macdonnalds, rodeado de rebentos que são a perfeita imagem da total redundância de um estilo de vida abjecto, faz com que tudo valha a pena.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Pensamentos Sombrios

"The end is near."

A modernidade, caracterizada pela compulsão neurótica do consumo, e a claustrofóbica certeza de que o fantástico! estilo de vida que levamos não é coerente com os recursos naturais a que temos acesso na natureza, e que como tal, a extinção é não apenas uma teoria, mas um facto cientifico. Refiro-me naturalmente ao consumo extensivo de milhares de milhões de barris de petróleo(energias não-renováveis) diários pela nossa exultante e brilhante cultura humana, que qualquer idiota incoerente consegue sentir até no seu cérebro atordoado uma vaga noção de que este recurso sob o qual baseamos a sociedade moderna é profundamente poluente, e profundamente prejudicial ao planeta. Visto que partilhamos uma relação simbiótica com o planeta, isto é, uma relação de inter-dependência, o que é mau para o planeta, é péssimo para nós.

Para que fique claro, cada vez que lêem o slogan "Salvem o Planeta!" apercebam-se imediatamente da única e singela verdade: O planeta não está em risco algum, nós estamos.

Ao que parece, é concordado pela comunidade científica internacional, a décadas, de que a nossa espécie está sob uma data de expiração, devido maioritariamente a poluição e gradual destruição do ambiente, da camada de ozono, que provoca simultaneamente tanto a crescente subida da temperatura de ano para ano, tal como a subida do nível do mar, também anualmente. Estes senhores trouxeram também dados concretos: Essencialmente, de acordo com a informação de que temos acesso (como eu disse, já a décadas), e de acordo com o ano em que estou a escrever isto (finais de 2009), temos cerca de 3-5 anos para cortar dramaticamente o consumo de energias não-renováveis a nível diário, sob a pena de causar danos de tal forma irreversíveis a camada de ozono, que ela irá, por si, deteriorar de forma que por volta do ano 2055~ a maior parte da terra firme estará submersa por água, ou de alguma forma destruída pelos extremos valores da temperatura, tanto pelo calor extremo, como pelo frio extremo, um contraste destrutivo. Acontece que a nossa poluição afecta com maior impacto os pólos norte e sul, onde se encontram os glaciares, água congelada, uma incrível quantidade de água, que está a derreter todos os anos, e contínua e crescente exposição irá resultar apenas na extinção. A minha informação não é 100% clara na minha própria compreensão, não estou ciente de exactamente todas as características destes acontecimentos, mas a ideia importante, penso eu, passou.

Naturalmente, os verdadeiros líderes do mundo, que manipulam e orquestram, em grande parte, todos os grandes acontecimentos mundiais, estão cientes disto, e irão, provavelmente, impedir que soframos tão indigno fim. A razão moral será um bónus, óbvio, a razão principal, será, como sempre, o interesse pessoal. Os barões do óleo irão provavelmente ficar bem chateados com esta mudança súbita de carreira, mas eu tenho a certeza de que eles irão arranjar uma forma alternativa de continuar a explorar completamente de todo e qualquer valor monetário as massas, aka zombies mutantes, escravos obedientes e inflexíveis do consumo. No entanto, aquece o meu terno coração saber, que nem toda a exploração ocorre impune, e que, de vez em quando, a natureza luta de volta, aparentemente o planeta do qual surgimos, do qual evoluímos gradualmente do nada biológico, não partilha da mesma aceitação passiva dos nossos cidadãos em função da crescente troca de liberdade individual pelo conforto dissimulado, que se traduz, claro, na degradação da qualidade da vida.

Portanto, não há nada a temer, a macdonnalds vai continuar a existir no amanhã, mas é possível que terão que caminhar até lá, ou utilizar os transportes públicos, para que possam consumir a vossa deliciosa refeição, no vosso centro comercial favorito (uff, ainda bem!). Ainda bem que nem tudo neste primeiro post é pensamento negativo.

No entanto, eu gosto de me divertir a pensar na hesitação em aderir em grande escala as energias renováveis por parte das..."autoridades", será possível que as massas se revoltem com a mudança? Talvez uma metade da liderança não consiga convencer a outra metade a largar o fantástico dinheiro que advém da exploração do petróleo, talvez eles todos estejam directamente envolvidos nisto, e talvez considerem que não somos uma espécie que valha a pena preservar. Sim, um pensamento que coloca um sorriso na minha face. Claro, provavelmente estão a "esticar a corda até ao limite" e a explorar a situação enquanto conseguir durar ou algo idêntico, e só depois efectuam a mudança, a tempo de prevenir a destruição total, e de efectuar o máximo de lucro possível.·

E eu que estava a pensar na sorte que tinha em presenciar o fim da humanidade. Olhar os meus filhos e netos directamente nos olhos, e compreender de que nós todos, enquanto espécie, partilhamos um destino, e que as acções colectivas da nossa estupidez monumental acarreta consequências fatais. E eu sempre fui um defensor ferrenho de que a estupidez deve de ser visivelmente, claramente, publicamente, castigada.